segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Grande Feira: projeto de restauração entregue a Secretaria de Cultura


Durante a exibição de Tocaia no Asfalto, na última semana, Petrus Pires entregou simbolicamente ao Secretário de Cultura, Márcio Meirelles, o projeto de restauração de A Grande Feira, outro longa de Roberto Pires. O projeto deu entrada oficialmente no Fundo de Cultura na sexta-feira (18) e agora deve seguir a tramitação normal para a aprovação.

Vamos aguardar novidades!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tocaia no Asfalto, melhor filme baiano de longametragem de todos os tempos

Para o crítico de cinema André Setaro, o filme "Tocaia no Asfalto", é o melhor filme baiano de longametragem já produzido. Depois dele, Setaro considera como melhor filme "A Grande Feira", que está com o projeto de restauração em elaboração. Ambos os filmes são do diretor Roberto Pires. A declaração foi feita em texto publicado no site Terra Magazine e pode ser conferida no link abaixo:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4157487-EI11347,00-Tocaia+no+asfalto.html

"Tocaia no Asfalto", dirigido por Roberto Pires, terá sua primeira sessão em 35mm após restauro. A exibição ocorrerá dentro dos projetos Quartas Baianas, no dia 16 (amanhã), às 19h. A entrada é gratuita!

Importância de Tocaia no Asfalto é reconhecida pela mídia

A exibição da cópia restaurada em 35 mm de Tocaia no Asfalto, que acontece nesta quarta-feira, 16, na Sala Walter da Silveira às 19h, ganhou destaque por parte da mídia soteropolitana, tanto nos jornais impressos quanto na internet, durante os últimos dias.

Blogs e sítios de outros estados também destacaram o evento.

Nos jornais impressos, bom espaço no jornal Tribuna da Bahia do último sábado, 12/12, e também no Correio da Bahia desta terça, 15/12, no caderno 24h. Na internet, o próprio Correio, Bahia Notícias, a Secretaria de Cultura da Bahia, ABCV e Dimas fizeram sua parte.

Nos links a seguir, confira o que saiu sobre a exibição de Tocaia:

Instituições

Secretaria de Cultura da Bahia
http://www.cultura.ba.gov.br/...tura/classico-do-cinema-baiano-e-restaurado-e-sera-exibido-gratuitamente-na-biblioteca-publica

Divulgação das quartas-baianas no Dimas
http://www.dimas.ba.gov.br/2008.1/quartas_baianas/2009.12/09.12.04.htm

Imprensa

Jornal on-line
O Tempo, de Minas Gerais
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=128964

Bahia Notícias
http://www.bahianoticias.com.br/noticias/noticia/2009/12/15/53212,tocaia-no-asfalto-em-exibicao-gratuita.html

Seção Cheio de Arte
http://www.bahianoticias.com.br/entretenimento/noticia_cheiodearte.html

Boca do Povo
http://www.bocadopovo.com.br/noticia.php?id=4075

Correio da Bahia
http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=44260&mdl=49

Tribuna da Bahia
http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=33199

Blogs

Blog da ABCV
http://blog.abcvbahia.com.br/2009/12/14/tocaia-no-asfalto-tera-primeira-exibicao-apos-restauro/

Blog Quadrado Mágico
http://quadro-magico.blogspot.com/2009/12/tocaia-no-asfalto-de-roberto-pires.html

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Cópia em 35mm de TOCAIA NO ASFALTO, clássico do cinema baiano, será exibida pela primeira vez após restauro

Iglu Filmes coordena ainda a restauração de Redenção e de A Grande Feira, dois outros filmes de Roberto Pires.



Empenhados em discutir a obra e resgatar a memória do cineasta Roberto Pires, a Iglu Filmes e a turma do Cineclube Roberto Pires, capitaneados por Petrus Pires, filho de Roberto, exibirão a cópia recém-restaurada de Tocaia no Asfalto, dia 16/12 (próxima quarta-feira), às 19h, na Sala Walter da Silveira ( Biblioteca Pública dos Barris), em Salvador.

Desconhecer a obra de Roberto Pires é praticamente um pecado cultural, visto sua relevância e legado. Criador da lente Igluscope nos anos 50, Roberto foi precursor: inaugurou o chamado Ciclo Baiano de Cinema e, mais adiante, participou, com Glauber Rocha, Cacá Diegues e Luiz Carlos Barreto, do chamado Cinema Novo brasileiro.

A criação da lente anamórfica Igluscope permitiu que Redenção (1959), o longa de estreia de Roberto, fosse filmado. Outras produções haviam sido gravadas na Bahia, mas as equipes eram de diferentes localidades. Assim, com diretor, produção e elenco locais, Redenção foi o primeiro longametragem genuinamente baiano. Por conta da importância histórica, esse filme está sendo restaurado na TeleImage, em São Paulo, com o patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, e ganhará exibição itinerante a partir de março de 2010.

Um outro longa desse diretor que está programado para entrar em restauro é A Grande Feira (1961). Analisando os filmes e os feitos de Roberto, fica fácil entender porque, ante sua obstinação e criatividade, Glauber Rocha declarou: “Se o cinema baiano não existisse, Roberto Pires o teria inventado”.

Tocaia no Asfalto

Produzido em 1962, Tocaia no Asfalto acaba de chegar restaurado à Bahia. De narrativa impactante, com diálogos bem construídos, o filme trafega entre a burguesia e o prostíbulo, retrata o coronelismo político típico do Nordeste, as diferentes escalas da violência, as vidas ceifadas por interferências distintas e nuances de amor e romance.

Para protagonistas, Roberto Pires convidou Geraldo Del Rey e Agildo Ribeiro. Este, que até então só havia feito papéis cômicos, embora temendo o resultado, aceitou viver o pistoleiro de aluguel da trama. Agildo interpreta um matador alagoano, enviado a Salvador para assassinar o deputado Pinto Borges, então candidato ao governo da Bahia. Durante sua estadia em uma pensão, ele conhece a prostituta Ana Paula e começa um relacionamento. Sem deixar de lado sua missão, se apaixona por ela e um novo horizonte se descortina para ele. Do outro lado, o político Pinto Borges faz conluios para evitar sua cassação, decorrente de uma denúncia que está sendo investigada pelo deputado da oposição (personagem de Geraldo Del Rey). Sua filha então se envolve com seu desafeto político e Pinto Borges interfere, a fim de evitar que se apaixonem.

Curiosidades e Prêmio:

É engraçado quando Antônio Pitanga, em pleno início de carreira, surge na história. Ele é um segundo matador, contratado para dar cabo do primeiro, personagem de Agildo.

Glauber Rocha foi o produtor executivo deste filme e Orlando Senna o produtor assistente. A trilha sonora é uma composição do músico excepcional, porém desconhecido do grande público brasileiro, Remo Usai.

O pano de fundo mostra a Salvador entre o final dos anos 50 e início dos 60. Se descoberta histórica para o público atualmente jovem, saudosismo para os moradores mais antigos da cidade. Pode-se observar ainda os trajes, o modo de conversar e a cultura da época.

Sabe-se que as primeiras cenas filmadas foram no cemitério Campo Santo. Testemunhos afirmam que Roberto as fez com maestria cinematográfica e muito improviso.

Oferecido pelo Jornal Estado de São Paulo, Tocaia no Asfalto ganhou o Prêmio Saci em 1963. Em 2007, a DIMAS venceu o edital nacional Programa de Restauro Cinemateca Brasileira – Petrobras, e pôde então ser restaurado.

A cópia em 35mm será exibida pela primeira vez em sessão gratuita e aberta ao público. O objetivo é atrair estudantes, profissionais de cinema e áreas afins, historiadores, jornalistas da nova geração e pessoas interessadas em conhecer a história desse baiano obstinado, que dedicou sua vida ao cinema e nos deixou tão rica herança cultural e cinematográfica.

Ficha Técnica:

Direção: Roberto Pires
Argumento: Rex Schindler
Roteiro e Montagem: Roberto Pires
Fotografia: Hélio Silva
Música: Remo Usai
Cenografia: José Teixeira de Araújo
Produtor Executivo: Glauber Rocha
Diretor de Produção: Carlos Lima
Assistente de Direção: Orlando Senna
Assistente de Produção: Carlos Nicolino de Leo
Assistente de Câmera: José Airton
Som: Walter Webb
Fotografia de Cena: Ugo Pedreira
Maquinista-Chefe: Gerolamo Brino
Produção: Rex Schindler, David Singer e Iglu Filmes
Elenco: Agildo Ribeiro, Othon Bastos, Geraldo del Rey, Arassary de Oliveira, Adriano Lisboa, Ângela Bonatti, David Singer, Jurema Pena, Antônio Sampaio (agora Antônio Pitanga), Roberto Ferreira, Maria Anita, Hélio Rodrigues, Milton Gaúcho, Maria Lígia, , Silvio Lamenha, Gerolamo Brino

Para ficar por dentro do Cineclube Roberto Pires, acompanhe:

http://cinecluberobertopires.blogspot.com/

Serviço:

Tocaia no Asfalto

primeira exibição da cópia restaurada em 35mm

16 de dezembro de 2009

DIMAS - Sala Walter da Silveira, Biblioteca Pública dos Barris

19h, entrada franca.

Informações à imprensa:

Comunika Press

(71) 3497.5000

Aleksandra Pinheiro

alepinheiro@comunikapress.com.br

(71) 9121.5359

ou

Giovanni Giocondo

giovanni@comunikapress.com.br

(71) 8813.5360

"´Tocaia no asfalto´, de Roberto Pires" por André Setaro

Reproduzo aqui um parágrafo do texto do prof. André Setaro, crítico de cinema, sobre o filme "Tocaia no Asfalto", que terá sua primeira exibição em 35mm após restauro, na próxima Quarta Baiana (16/12), às 19h:

"Thriller genuinamente baiano realizado em 1962, que aborda o relacionamento dos políticos com a criminalidade e as idiossincrasias de personalidade de um pistoleiro de aluguel, Tocaia no asfalto, de Roberto Pires, produzido logo após A grande feira, é um filme que pode ser visto em dois planos: no plano de sua narrativa e no plano de sua fábula (história). No primeiro, destaca-se sobremaneira a artesania de Pires, o domínio pelo qual articula os elementos da linguagem cinematográfica em função da explicitação temática. Seu trabalho, nesse particular, é de ourivesaria e, aqui, em Tocaia no asfalto, tem-se um exemplo onde a narrativa suplanta a fábula, ainda que os dois planos sempre devam ser observados em processo de simbiose."

Para conferir o texto na íntegra, basta seguir o link abaixo:

http://setarosblog.blogspot.com/2008/11/tocaia-no-asfalto-de-roberto-pires.html

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Para ir entrando no clima do suspense...

Para ir entrando no clima do suspense de Tocaia no Asfalto, segue trecho do filme que achei no youtube. Não custa nada lembrar que, na próxima quarta, às 19h, na Walter da Silveira, será exibido a cópia em 35mm restaurada.
Muito melhor curtir esse clássico e a maestria de Roberto Pires no escurinho do cinema!

Data confirmada da exibição de Tocaia no Asfalto restaurado


O Cineclube Roberto Pires, em parceria com a IGLU FILMES, Cambuí Produções, Quartas Baianas, Dimas, Fundação Cultural e Governo do Estado da Bahia, realizará no dia 16 de dezembro de 2009, às 19 horas, na Sala Walter da Silveira, a exibição da cópia restaurada em 35mm do filme TOCAIA NO ASFALTO, dirigido por Roberto Pires. Esta cópia, restaurada através de uma parceria entre Dimas e Cinemateca Brasileira, chegou a Salvador no mês de novembro deste ano e pela primeira vez será exibida, em 35mm, após sua restauração.

Entrada GRATUITA!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

RESTAURAÇÃO DO REDENÇÃO

Encaminhado ao Fundo de Cultura do Estado da Bahia (demanda espontânea), o projeto REDENÇÃO - 50 anos de cinema baiano consiste na restauração do primeiro filme de longametragem feito na Bahia, Redenção, lançado em março de 1959 e dirigido por Roberto Pires.

A uníca película encontrada do filme, em todo o Brasil, estava num estado de deterioração avançado e corria o risco de se perder. Depois de meses a procura do filme, Petrus, filho de Roberto Pires, encontrou a película em Recife e levou-a para uma análise na Cinemateca Brasileira. Resultado da análise: O FILME PRECISA SER RESTAURADO COM URGÊNCIA.

Projeto escrito e encaminhado ao Fundo de Cultura, patrocínio concretizado... A partir de setembro de 2009 começou a restauração - importante etapa de preservação da obra do cineasta Roberto Pires. REDENÇÃO estará completamente restaurado em fevereiro de 2010. Em março acontece a reestréia nos cinemas da capital baiana.

Um projeto que conta com o trabalho de divervas empresas: Iglu Filmes, Cambuí Produções, Cardim Projetos, Teleimage, Cinemateca Brasileira, Kodak... Todas trabalhando juntas para restaurar e lançar o primeiro filme de longametragem feito na Bahia.

Salve Salve Roberto Pires!!!
Viva o Cinema Baiano!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

QUINTA - 26/11 - TEM SESSÃO DO CINECLUBE

CINE / VÍDEO
Cineclube Roberto Pires

SESSÃO CONSCIÊNCIA NEGRA - CAPOEIRA

No mês em que se comemora o dia da Consciência Negra (20). E no mês em que acontecerá o 2º Seminário Brasileiro de Capoeiragem (16 a 21) e o 3º Encontro de Capoeira do Recôncavo (27 a 29), o Cineclube Roberto Pires traz dois filmes que retratam o universo da capoeira.

"A Capoeiragem de Um Metre e Seu Bando Anunciador" (Brasil, 2009, 24 minutos) - documentário de Gabriela Barreto, que aborda a trajetória de Mestre Lua Rasta, que junto com seu Bando Anunciador viajou o mundo difundindo a cultura baiana. O curta recebeu Menção Honrosa no I Festival de Filmes Etnográficos do Recife, em 2009.

"Mandinga em Manhatan" (Brasil, 2006, 55 minutos ) - o filme de Lázaro Faria, narra a história da capoeira, com relatos dos mestres João Grande e João Pequeno. Mostra também o movimento de saída dos capoeiristas brasileiro para o exterior na década de 80, época em que a capoeira se espalhou pelo mundo.

Após a sessão, acontecerá uma Roda de Capoeira, no Espaço Raul Seixas, para celebrar o encerramento do primeiro ano de atividades do Cineclube Roberto Pires, dentro do Espaço Cultural. AXÉ

26 / Quinta / 18:30 / Entrada Franca

domingo, 8 de novembro de 2009

SESSÃO CAPOEIRA

2 FILMES DE CAPOEIRA NO CINECLUBE ROBERTO PIRES, NESTE MÊS DE NOVEMBRO.
AGUADEM!!!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SINOPSE FILMES DE QUINTA - 29/10

O Espaço Cultural Raul Seixas, mais uma vez recebe uma sessão do Cineclube Roberto Pires. Os filmes de hoje serão:

CHAMA VEREQUETEA história de Verequete é muito parecida com a história de muitos homens do interior do Pará que deixaram tudo, em seus lugares de origem, para tentar conseguir melhorias de vida na capital do estado. A diferença, no entanto, é que Verequete, nesta sua “diáspora”, carregou consigo diversos elementos de sua cultura “original” e os reelaborou em um novo contexto, um contexto urbano, construindo uma identidade cultural que lhe acompanha desde muito tempo até os nossos dias. O carimbó é a sua arte de transformação.
Ficha Técnica - Chama VerequeteGênero: DocumentárioTempo de Duração: 18 minutos, corAno de Lançamento (Brasil): 2002Direção e Roteiro: Luiz Arnaldo Campos e Rogério ParreiraPrêmios: Menção Honrosa - Festival de Curitiba 2002 / Melhor Música(Curta 35mm) - Festival de Gramado 2002

PATATIVA DO ASSARÉ: AVE POESIAO documentário de Rosemberg Cariry estreiou no dia do centenario do poeta de Assaré, no Espaço Unibanco Dragão do Mar, em Fortaleza. O filme foi vencedor do 5º Festival de Belém do Cinema Brasileiro. O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré, destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaré consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo.

Ficha Técnica - Patativa do Assaré - Ave PoesiaGênero: DocumentárioTempo de Duração: 84 minutosAno de Lançamento (Brasil): 2009Direção: Rosemberg Cariry

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SINOPSE FILMES DE SÁBADO - 24/10

NA SALA WALTER DA SILVEIRA, ÀS 15 HORAS,
O CINECLUBE ROBERTO PIRES ESTRÉIA A PROGRAMAÇÃO
CINEMA DE AUTOR, QUE NESTE MÊS TRAZ JEAN ROUCH

OS MESTRES LOUCOS (curta)
Les Maîtres Fous, França, 1955. Dur.: 26 min.
Dir.: Jean Rouch

A contestação do modelo civilizatório europeu, através do, a princípio, estranho e violento ritual dos haouka, na Costa do Ouro africana. Em Os Mestres Loucos, Jean Rouch se detém sobre a estratégia fundamental dos povos colonizados para resistir aos colonizadores: apropriar-se dos signos que efetuam a dominação e retrabalhá-los, questionando-lhes a naturalidade, a fim de assegurar a inserção e a sobrevivência em uma sociedade injusta e hostil.

CRÔNICA DE UM VERÃO (longa)
Chronique D'Un Été, França, 1960. Dur.: 90 min.
Dir.: Jean Rouch

Durante o verão de 1960, o sociólogo Edgar Morin e Jean Rouch pesquisam sobre a vida cotidiana dos jovens parisienses para tentar compreender sua concepção de felicidade. Durante alguns meses este filme-ensaio segue, ao mesmo tempo, tal enquete e também a evolução dos protagonistas principais. Ao redor da questão inicial « Como você vive ? Você é feliz ?», rapidamente aparecem problemáticas essenciais como a política, o desespero, o tédio, a solidão… Finalmente, o grupo interrogado durante a enquete se reúne em torno da primeira projeção do filme acabado, para discuti-lo, aceitá-lo ou rejeitá-lo. Com isso, os dois autores se encontram diante da experiência cruel, mas apaixonante, do « cinéma-vérité », ou seja, do cinema-verdade.

sábado, 17 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cineclubes em salvador

Cineclubes em salvador
http://www.lupa.facom.ufba.br/2009/10/cineclubes-em-salvador/


Por paulajanay em outubro 14th, 2009

Conheça um pouco do movimento de cineclubes em Salvador, que vai de exibição de filmes raros à mobilização para a democratização do cinema

Júlio Domingos, em sessão do Cine Clube Roberto Pires. Créditos da foto: Nelson Cerino.

Começa assim: alguém pensa em um filme interessante de que gostou e deseja que outros vejam, depois comenta com um amigo, a partir daí nasce uma conversa, um debate com o outro, discutem com o grupo e depois decidem qual filme será exibido. O objetivo é compartilhar, é saber do que não se sabia antes, ver o que não é comumente visto. Conhecer cineastas, filmes e ideias que não eram conhecidas por todos. O que não é exibido nas salas de cinema comerciais não fica esquecido nas locadoras, ou nas estantes dos colecionadores; são vistos por aqueles que participam de uma atividade que é comum e tem uma história longa, mas que muitas vezes é esquecida ou deixada de lado: o cineclubismo.

A possibilidade de ver o que não é exibido comumente nos circuitos comerciais é o que motiva muitas pessoas a participar de um cineclube. Para Tiago Alves, produtor cultural e integrante do cineclube Roberto Pires, o cineclube é importante para quem gosta de cinema por conta da diversidade de termas, filmes e vídeos que podem ser discutidos. “Quando tem muitos pensando, tem sempre alguém que traz uma sugestão que o outro não conhecia, sejam filmes asiáticos, ou até mesmo vídeos produzidos ali no seu bairro, na sua comunidade”, afirma. Esse caráter de compartilhar o que se sabe, para ele, se expressa no ato de “levar filmes que não estão passando na TV, que não se encontram fácil numa locadora, ou em lugar nenhum, a não ser com o dono de um vídeo”.

Mas cineclubismo não é só exibição. Para Tiago o mais importante é o caráter coletivo dos cineclubes: “Assistir a um filme, num cineclube, nunca é uma ação solitária. A gente pensa junto em qual filme vai passar, corre atrás para preparar a exibição, divulgação, e depois discutimos o filme, senão logo após o término da sessão, mas mais tarde no barzinho, ou no dia seguinte, ou nas listas virtuais de discussão”, conta. Para Ramon Coutinho, historiador e integrante do Roberto Pires, as discussões que fazem partes das atividades do cineclube também são importantes. “Acredito no cinema, não apenas como diversão, como um contador de histórias, mas como fonte artística questionadora, capaz mover reflexões que possam extrapolar o próprio espaço cinematográfico”, defende.

Em relação aos cineclubes atuais, o professor e crítico de cinema, André Setaro, se mostra pessimista. Para ele, as ações cineclubistas tiveram o seu auge na década de 50 e 60, depois disso, começaram a surgir outros cineclubes, mas que se mostraram efêmeros. “Naquela época não se tinha oportunidade de ver certos filmes em lugar nenhum. Hoje em dia o cineclube não tem mais sentido. Com o advento do DVD e da internet, os filmes se tornaram mais disponíveis”, opina. Para Setaro, ainda que a proposta do cineclube não seja apenas de exibição, as atividades de cineclubismo podem ser caracterizadas como tentativas condenadas ao fracasso: “Pode haver cineclubes que organizem bem os debates e que possam funcionar, mas atualmente, numa cidade como Salvador, com a locomoção difícil, a violência, as tentativas feitas de cineclube não são bem sucedidas, com raras exceções”.

Gleciara Ramos - Diretora regional do Conselho Nacional de Cineclubes

Cineclubes como militância e ação social

O cineclubismo pode ser encarado, também, como militância em favor dos direitos do público e como uma forma de democratização do cinema. Para Gleciara Ramos, diretora-regional do Conselho Nacional de Cineclubes, “o Brasil carece de salas de exibição, a maioria das salas de cinema está nos shoppings e o preço do ingresso faz com que não seja acessível para todos”. É esse caráter de democratização, para Gleciara, que demonstra a importância dos cineclubes nos bairros e nas associações de moradores: “Os cineclubes são compostos por pessoas que se juntam para ver filmes e discuti-los. E tem a característica de ser democrático, porque é a comunidade que vê os filmes que decide quais filmes irão ver”.

Para Gleciara o direito do público está ligado ao direito à diversidade cultural e ao direito à informação e á cultura. O movimento cineclubista, segundo Gleciara, contribui para essas questões. “Os cineclubes, hoje, com a tecnologia digital, têm condições de produzir pequenos documentários e curtas. Ou mesmo ficções sobre a realidade da comunidade em que estão inseridos. Isso possibilita ter o olhar de dentro e não só o olhar de fora, falando sobre uma determinada comunidade, como na maioria das vezes acontece”.

Quem faz a articulação entre as comunidades e os editais do governo que incentivam a formação de cineclubes, em Salvador, é o Conselho Nacional de Cineclubes. O Conselho é uma associação sem fins lucrativos que surgiu na década de 60 e teve uma grande atuação na ditadura militar. O Conselho foi reaberto em 2004, depois de ter encerrado as suas atividades na época do governo Collor. Tem como objetivo, também, organizar programações coletivas em todo o Brasil. Na Bahia, atualmente, existem 54 cineclubes filiados ao Conselho. A direção regional Bahia-Sergipe é a responsável por criar as equipes que acompanham esses cineclubes. “A função da direção regional é organizar o cineclubismo em sua região. Dar o suporte teórico, técnico, organizacional, fazer reuniões, convocar os cineclubes para decidir as questões”, explica Gleciara.

Um pouco de história

O cineclube na Bahia surgiu na década de 1950 com a formação do Clube de Cinema da Bahia por Walter da Silveira. “O Clube de Cinema foi fundado no sentido educativo, no sentido de uma formação de plateia a fim de que os baianos pudessem conhecer os filmes, por exemplo, do neo realismo italiano, ou do realismo poético francês. Walter da Silveira teve esse trabalho de exibir os filmes, além de fazer um pronunciamento antes deles”, conta André Setaro.

Foram nos clubes de cinema que os cineastas e intelectuais baianos, como Glauber Rocha, Roberto Pires, Orlando Senna e José Umberto Dias, na década de 1950, tiveram acesso a importantes obras do cinema e travavam discussões sobre as obras exibidas. É nesse contexto que surge o Ciclo Baiano de Cinema que resulta na realização de importantes obras do cinema baiano.

Entrevista com Gleciara Ramos

Em entrevista a Lupa Digital, Gleciara fala sobre direitos do público e o movimento cineclubista no Brasil e em Salvador

Gleciara Ramos - Diretora regional do Conselho Nacional de Cineclubes

A entrevista começa em sua casa e ao entrar, ela já me avisa: “Casa de artista plástica é assim mesmo, tem muita coisa, muita informação”. E realmente têm. As paredes estavam completas por quadros feitos por ela e a sala também preenchida com suas peças. Além disso a informação fluiu durante a entrevista, num papo que começou com o objetivo de saber um pouco mais sobre o papel do Conselho Nacional de Cineclubes, Gleciara é a diretora-regional da Bahia-Sergipe, conversamos sobre a história do Conselho, a história do movimento cineclubista e os direitos do público ao acesso à informação e à diversidade cultural, além do processo de produção dos filmes no Brasil.

Início do cineclubismo e desenvolvimento do CNC

“Os cineclubes nasceram com a classe operária em diversas partes do mundo e nos Estados Unidos pelos profissionais liberais. Os clubes de cinema quando nascem, como no exemplo do Walter da Silveira nascem com os profissionais liberais, os advogados, os intelectuais, que já conheciam o cinema, que já eram amantes do cinema. Nesse momento de nascimento, o cinema brasileiro já estava em uma crise. Só no início do cinema o cinema mais visto era o brasileiro, como aconteceu na mairias dos países. Até o cinema americano chegar e monopolizar a exibição dos filmes americanos. O Conselho Nacional de Cineclubes nasce na década de 1960, mas o cineclubismo tem 80 anos. O cineclubismo nasceu em 1928. O CNC se desenvolveu e teve uma atuação muito grande na época da ditadura militar, depois ele teve um período de queda por conta da passagem da película para o filme digital”.

Indústria cinematográfica brasileira

“Nós temos uma produção cinematográfica grande por causa das leis de incentivos fiscais. A Embrafilm era um empresa, que investia em seu dinheiro e tinha parte do seu dinheiro de volta com bilheteria. O financiamento público hoje é totalmente doação do governo, não tem retorno. O povo que paga, através dos seus impostos, os filmes que são produzidos dessa maneira. Mas eles não são exibidos. O Brasil carece com salas de exibição. Só aqui na Bahia é que tem cinemas de arte no Nordeste, além daqui só em outras capitais de outras regiões. Mesmo assim, você não atinge um grande público, só atinge o público de classe média.
O grande público, que nas capitais está na periferia, a maior parte da população hoje mora na periferia, não vê cinema. A televisão também não passa esse cinema. Esse cinema é feito com dinheiro público, mas o público não vê”.

Parceria do CNC com o Ministério da Cultura

“O Minc reconhece isso, o governo federal ainda de maneira modesta e tímida reconhece. Está começando a haver um investimento, e vão abrir salas de cinemas comerciais, além das salas de culturas, que são cineclubes, em parceria com o CNC. O CNC que está monitorando. O CNC que vai dar as oficinas, o Minc dá o equipamento (datashow, telão, quatro caixas de som, mesa de som amplificada). É um reivindicação do movimento cineclubista que esses filmes brasileiros, que foram produzidos com o dinheiro público estejam à disposição de qualquer um e de forma mais barata.

E quais são os direitos do público?

“É o direito de poder escolher o que se passa não só sala de cinema, mas também na televisão. É o direito de acesso a informação e a cultura. Por exemplo, nós temos a produção nacional de filmes, mas quase ninguém vê esses filmes. É a nossa cultura, se você não tem acesso á diversidade cultural as diferenças culturais começam a se perder. Se você compreender o patrimônio cultural como um bem, mesmo que imaterial, você entende que esse bem material está sendo roubado, porque as pessoas não estão tendo acesso a ele. Isso é um direito coletivo, não é de uma geração só. Compromete toda uma coletividade, toda a geração futura”.

Funcionamento da produção de filmes brasileiros

“Alguns realizadores de filmes brasileiros têm a seguinte posição: eles têm o dinheiro do governo para realizar seus filmes e depois de feitos não se importam com a exibição. Pois o filme já é feito com tudo pago. Não se importam se vão ser visto ou não. Você termina o seu filme sem dever a ninguém e com dinheiro no bolso. Não existe estrutura de exibição e não existe estrutura para copiar filmes de 35 mm. A distribuição é cara o governo nunca investiu em uma distribuidora.

O melhor para eles, ao invés de se esforçar para exibir seus filmes, é entrar em outro edital para produzir outro filme que também não vai ser visto. Eles vivem de edital em edital produzindo filmes que ninguém vê, além da própria comunidade intelectual. O fenômeno da comunicação não se dá, mesmo assim, o dinheiro é público. Não há o termômetro do público, para julgar se o filme produzido foi bom ou não porque simplesmente o filme não é exibido”.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

DUAS SESSÕES EM OUTUBRO

NESTE MÊS TEREMOS SESSÕES NOS DIAS :
24, NA SALA WALTER DA SILVEIRA
e
29, NO ESPAÇO RAUL SEIXAS
AGUARDEM MAIORES INFORMAÇÕES!!!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Homenagem a Roberto Pires tem sessão especial na Sala Walter nesta terça

http://www.cineinsite.com.br/materia/materia.php?id_materia=9698

28/09/09

Homenagem a Roberto Pires tem sessão especial na Sala Walter nesta terça

Lucas Cunha, do A TARDE ON LINE

Se, atualmente, pode-se falar em um cinema baiano, um nome fundamental nesta história é Roberto Pires, morto em 2001, que ganha homenagem nesta terça(29) às 20 horas, na Sala Walter da Silveira, com entrada franca. Serão exibidos "Césio 137" e "Artesão dos Sonhos", no dia em que o cineasta completaria 75 anos.

Como diz Glauber Rocha, em uma célebre frase, se o cinema da Bahia não existisse, Roberto Pires o teria inventado. A razão disto é "Redenção", primeiro longa-metragem baiano, de 1959.

O ano de 2009 tem sido um bom período para o resgate da obra de Roberto Pires. Quem está à frente do projeto de recuperação dos filmes de Pires é o seu filho, Petrus, em um processo que começou ano passado com o lançamento do curta "Artesão dos Sonhos", dirigido em parceria com Paulo Hermida.

"Desde o lançamento do filme, várias coisas aconteceram. Conseguimos restaurar o Tocaia no Asfalto, foi lançado um livro e agora estamos no processo de restauração de 'Redenção'“, diz o filho cineasta.

Quem pôde acompanhar a exibição de "Redenção", através de uma telecinagem, durante o Panorama Coisa de Cinema, em março deste ano, teve uma ideia da situação de preservação da cópia do filme, que precisava com urgência de restauração, o que foi obtido através de um apoio da Secretária de Cultura da Bahia e da TeleImage.

"A gente só consegue dar valor às coisas quando a gente perde. Depois da morte dele, perceberam que o filme não existia. Até meu pai falecer, davam pouca atenção para 'Redenção', que é de grande importância história para a Bahia".

E Petrus já indica até uma data para a exibição da cópia restaurada: 6 de março de 2010, quando o filme completará 51 anos.

"Esse é o nosso prazo. Já fui a São Paulo para reuniões com o pessoal da TeleImage, que é a mesma empresa que fez restauração dos filmes do Joaquim Pedro de Andrade, do Nelson Pereira dos Santos. Agora, estamos começando a escanear o negativo".

A ideia é que, em 2010, além da exibição da cópia restaurada em Salvador e algumas cidades do interior da Bahia, também seja lançado o DVD do filme, iniciando um processo de lançamento de todos longas-metragens e curtas de Roberto Pires em DVD, o que deve resultar uma caixa nos próximos anos, já que, atualmente, nenhum dos filmes de Pires está disponível neste formato comercialmente. "Estamos fazendo este processo por filme, porque temos uma equipe muito reduzida para fazer este trabalho".

Um dos parceiros desta equipe é o jornalista e documentarista baiano Aléxis Góis, que foi o responsável pelo lançamento do livro sobre Roberto Pires, pela coleção Gente da Bahia, projeto da Assembleia Legislativa do Estado, que tem outros títulos sobre célebres baianos.

Aléxis não conhecia a obra de Roberto Pires até o ano passado, quando assistiu ao documentário Artesão dos Sonhos, que mostra a vida do cineasta.

"Ele era um cara apaixonado pela causa, que conseguiu fazer o primeiro longa baiano, auxiliou a carreira de Glauber Rocha, era engajado com outras questões, como sua preocupação com o uso da energia nuclear. Nessa mesma época, coincidiu o convite para escrever um dos livros para o Gente da Bahia, e casou uma coisa com a outra", diz o
autor do livro, que, após uma primeira edição de distribuição gratuita, pode atualmente ser adquirido na Livraria LDM, em Salvador, pelo preço de R$ 20.

Sua imersão na obra de Pires foi tanta que o filho Petrus lhe convidou para se tornar o pesquisador oficial dos projetos de restauração/redescoberta da obra de seu pai. Tanto que ele está atualmente no Rio de Janeiro, buscando lo calizar alguns curtas que são da dos como perdidos, além de estar no começo do projeto de um livro sobre outro cineasta baiano, Paulo Gil Soares.

Soares, além de ter trabalhado em filmes de Glauber Rocha, tem no currículo a direção da época áurea, nos anos 70 e 80, do programa Globo Repórter, colocando documentaristas do primeiro time, como Eduardo Coutinho, Geraldo Sarno e Walter Lima Jr., para dirigirem algumas das reportagens especiais.

Para a sessão desta terça(29), a escolha do longa Césio 137 tem um motivo: a relação com a data do incidente em Goiânia, 22 anos atrás, o que traz um debate, com a participação da Rede de Educação Ambiental da Bahia (REABA) sobre o uso da energia nuclear, após a sessão.

A família, inclusive, desconfia que foi ao coletar informações sobre o assunto no região da contaminação que o câncer de Roberto despertou. “Não se pode determinar uma causa para o câncer, mas ele é considerado uma das vítimas indireta do Césio. Um ano após a visita dele a Goiânia, apareceu o câncer”, diz o filho, Petrus.

EXIBIÇÃO DOS FILMES "CÉSIO 137 - O PESADELO DE GOIÂNIA" (1990), DE ROBERTO PIRES, E "ARTESÃO DOS SONHOS", DE PETRUS PIRES E PAULO HERMIDA (2008).
TERÇA-FEIRA, 29, ÀS 20H.
SALA WALTER DA SIlVEIRA (RUA GENERAL LABATUT, 27, BARRIS).
ENTRADA FRANCA.
INFORMAÇÕES: 8606-3042.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

22 ANOS DO ACIDENTE EM GOIÂNIA

Foi um acidente radioativo ocorrido no dia 13 de setembro de 1987, em Goiânia, Goiás. No desastre foram contaminadas centenas de pessoas acidentalmente através de radiações emitidas por uma cápsula que continha césio-137. Foi o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora das usinas nucleares. Tudo teve inicio com a curiosidade de dois catadores de lixo, que vasculhavam as antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia (também conhecido como Santa Casa de Misericórdia), no centro de Goiânia. No local eles acabaram encontrando um aparelho de radioterapia, eles removeram a máquina com a ajuda de um carrinho de mão e levaram o equipamento até a casa de um deles. Eles estavam interessados no que podiam ganhar vendendo as partes de metal e chumbo do aparelho em ferros-velho da cidade, ignoravam de todas as formas o que era aquela máquina e o que continha realmente em seu interior. No período da desmontagem da máquina, eles foram expostos ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCl), tal substância um pó branco parecido com o sal de cozinha, porém no escuro ele brilha com uma coloração azul. Após cinco dias, a peça foi vendida a um proprietário de um ferro-velho, o qual se encantou com o brilho azul emitido pela substância. Crendo estar diante de algo sobrenatural, o dono do ferro-velho passou 4 dias recebendo amigos e curiosos interessados em conhecer o pó brilhante. Muitos levaram para suas casas pedrinhas da substância, parte do equipamento de radioterapia também foi para outro ferro-velho, de forma que gerou uma enorme contaminação com o material radioativo.
Os primeiros sintomas da contaminação (vômitos, náuseas, diarréia e tonturas) surgiram algumas horas após o contato com a substância, o que levou um grande número de pessoas a procura hospitais e farmácias, sendo medicadas apenas como pessoas portadoras de uma doença contagiosa. Mas tarde descobriu-se de que se tratava na verdade de sintomas de uma Síndrome Aguda de Radiação. Somente no dia 29 de setembro de 1987 é que os sintomas foram qualificados como contaminação radioativa, e isso só foi possível devido à esposa do dono do ferro-velho ter levado parte da máquina de radioterapia até a sede da Vigilância Sanitária. Os médicos que receberam o equipamento solicitaram a presença de um físico, pois tinham a suspeita de que se tratava de material radioativo. Então o físico nuclear Valter Mendes, de Goiânia, constatou que havia índices de radiação na Rua 57, do St. Aeroporto, bem como nas suas imediações. Por suspeitar ser gravíssimo o acidente, ele acionou a então Comissão Nacional Nuclear (CNEN). O então chefe do Departamento de Instalações Nucleares José Júlio Rosenthal, dirigiu-se no mesmo dia para Goiânia. Ao se deparar com um quadro preocupante, ele chamou o médico Alexandre Rodrigues de Oliveira, da Nuclebrás (atualmente, Indústrias Nucleares do Brasil) e também o médico Carlos Brandão da CNEN. Chegaram no dia seguinte, quando a secretaria de saúde do estado já fazia a triagem num estádio de futebol dos acidentados. Uma das primeiras medidas foi separar todas as roupas das pessoas expostas ao material radioativo, lavá-las com água e sabão para a descontaminação externa. Após esta medida, as pessoas tomaram um quelante (substancia que elimina os efeitos da radiação, denominado de “azul da Prússia”). Com ele, as partículas de césio saem do organismo através da urina e das fezes.
Cerca de um mês após o acidente quatro pessoas vieram a óbito, a menina Leide das Neves, Maria Gabriela e dois funcionários do ferro-velho e cerca de 400 pessoas ficaram contaminadas. O trabalho de descontaminação dos locais atingidos geraram cerca de 13,4 toneladas de lixo (roupas, utensílios, materiais de construção, etc.) contaminado com o césio-137. Esse lixo encontra-se armazenado em cerca de 1.200 caixas, 2.900 tambores e 14 contêineres em um depósito construído na cidade de Abadia de Goiás, onde deve ficar por aproximadamente 180 anos.
Após o acidente cerca de 60 pessoas morreram vítimas da contaminação com o material radioativo, entre eles funcionários que realizaram a limpeza do local. O Ministério Público reconhece apenas 628 vítimas contaminadas diretamente, mas a Associação de Vítimas contaminadas do Césio-137 calcula que esse número seja superior a 6 mil pessoas que foram atingidas pela radiação. No ano de 1996, a Justiça julgou e condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) três sócios e funcionários do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (Santa Casa de Misericórdia) a três anos e dois meses de prisão, pena que foi substituída por prestação de serviços. Atualmente, as vítimas reclamam da omissão do governo para com a assistência que eles necessitam, tanto médica como de medicamentos. O governo nega a acusação e diz que as vítimas fazem o uso do acidente como pretexto para justificar todos seus problemas de saúde.
Por Eliene Percília
Equipe Brasil Escola

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Lançamento de biografia sobre Roberto Pires em Bauru

http://www.jcnet.com.br/busca/busca_detalhe2009.php?codigo=165804

14/09/2009 - Cultura
Pioneirismo baiano
Diretor do primeiro longa produzido na Bahia, Roberto Pires ganha biografia; lançamento, em Bauru, será hoje, no Automóvel Club
Precursor do cinema baiano com a produção de “Redenção”, em 1959, Roberto Pires teve sua trajetória revista pelo jornalista Aléxis Góis. Intitulada “Roberto Pires - Inventor de Cinema”, a biografia será lançada, em Bauru, hoje à noite, no Automóvel Club. Fundador do Cineclube Aldire Pereira Guedes e formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru, o autor promoverá sessão de autógrafos, a partir das 20h.

Além de descrever a atuação de Pires como cineasta, o livro destaca sua habilidade e grande amor pela sétima arte. Aventuras pelo Brasil, militância contra a energia nuclear e a colaboração em obras de grandes nomes do cinema brasileiro permeiam sua obra. Como inventor, Pires também tem o seu espaço, com a criação da lente anamórfica Igluscope, invenção que motivou uma viagem de representantes da Motion Pictures de Hollywood à Bahia para conhecer o feito.

Com o lançamento de “Redenção”, Pires não apenas fomentou o início da produção cinematográfica da Bahia, como ainda proporcionou o início da carreira de Glauber Rocha, com a produção do primeiro longa do amigo, “Barravento”. O famoso cineasta escreveu certa vez que “se o cinema não existisse, Roberto Pires o teria inventado”.

O cineasta ainda dirigiu “A Grande Feira”, “Tocaia no Asfalto”, “Césio 137” e “O Cego que Gritava Luz”, do diretor João Batista de Andrade, foi praticamente o último filme com o qual Roberto Pires teve envolvimento antes de falecer em 2001.

Além de “Roberto Pires - Inventor de Cinema”, o jornalista Góis participa do projeto de restauração “Redenção”, além de assinar a direção dos documentários “Memórias do Coronelismo” e “Cantoria Caipira: Cururu do Médio-Tietê”.

Durante o lançamento do livro, haverá também a exibição do curta “Artesão dos Sonhos”, dos diretores Petrus Pires e Paulo Hermida, que conta um pouco da vida de Roberto Pires, dedicada inteiramente ao cinema.


• Serviço

Lançamento da biografia “Roberto Pires - Inventor de Cinema” hoje, às 20h, no Automóvel Club (Praça Rui Barbosa, 1-23).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Roberto Pires ganha biografia

Matéria completa em: http://cineinblog.atarde.com.br/?p=1475

Published by Andréia Santana
on 11/09/2009

O cineasta baiano Roberto Pires, diretor de Redenção, o primeiro longa feito na Bahia, ganhou uma biografia assinada pelo documentarista e jornalista Aléxis Góis. O livro “Roberto Pires”, que integra a coleção Gente da Bahia, iniciativa da Assembleia Legislativa do Estado, será lançado no stand dos autores baianos, no próximo dia 20, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Filmagem de Redenção

Filmagem de Redenção

A obra descreve a trajetória de Pires como cineasta e inventor, além de destacar sua habilidade e grande amor pela chamada sétima arte. Aléxis Góis, que atualmente participa como pesquisador do projeto de restauração de “Redenção”, escreveu o livro para homenagear os 50 anos deste filme que é considerado um clássico do cinema baiano.

A avant-premiére de Redenção ocorreu em março de 1959, em evento “black-tie” no cine Guarany (atual Espaço Unibanco Glauber Rocha), na Praça Castro Alves.

domingo, 6 de setembro de 2009

domingo, 30 de agosto de 2009

MEMÓRIAS DO CORONELISMO


A qualidade do público na sessão de 27/08 no Espaço Raul Seixas premiou a apresentação do "Memórias do Coronelismo", doc de Aléxis Góis, com gosto e até entusiasmo rolou um bate-papo excelente e algumas pessoas deram testemunhos pessoais sobre o ciclo do garimpo na chapada diamantina. Para a surpresa de muitos, Dona Maria, presente na sessão, filha de garimpeiro na região de Lençóis, falou sobre as referências que o documentário trouxe para ela, além de despertar histórias na sua memória. Também Sra. Creusa falou sobre sua infância na chapada diamantina e a importância de assistir ao documentário. Todos se pronunciaram e manisfestaram satisfação pela exibição e encontro.
Lembramos que nesse ano do centenário de morte de Euclides da Cunha, acontecerá em Salvador, de 10 a 17 de setembro, a 36ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia que homenageia o sertanista. O CineClube Roberto Pires estará presente com produções de seus associados. Vale a pena conferir o evento que já faz parte da história do cinema baiano e brasileiro, um presente do nosso querido Guido Araújo.
Fica o convite para as próximas sessões do CCRP que prometem. É ficar sintonizado nas datas e horários para marcar presença e conferir exibições de elevada qualidade, valorizando as produções audiovisuais baianas no agradável Espaço Raul Seixas, pelo módico preço de graça.
Abraços Cineclubistas.



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

NOVA SESSÃO DO CINECLUBE ROBERTO PIRES

CINECLUBE ROBERTO PIRES APRESENTA: CURTAS NO ESPAÇO CULTURA RAUL SEIXAS – NESTA QUINTA 27/08 – ÀS 18:30


GARIMPO - Dentro do projeto Memórias do Coronelismo, Garimpo aborda as memórias dos idosos da Chapada Diamantina sobre o garimpo na época dos coronéis. Felicidades individuais com a descoberta do tão procurado diamante, e tragédias são revelados através de depoimentos. Documentário de 18 minutos.

SECA - Seca no Nordeste é um problema popularmente conhecido. Secas, como a de 1932, na Chapada Diamantina, deixaram marcas na memória da população local. Através de depoimentos de verdadeiros sobreviventes de uma tragédia humana, o documentário tece de forma particular os problemas enfrentados em 32, que ainda afligem diversas comunidades nordestinas. Duração: 20 minutos.

REVOLTOSOS - Em 1924, Luís Carlos Prestes iniciou um movimento para acabar com o regime oligárquico da República Velha. Em 1926, a Coluna Prestes e suas proezas marcaram a Chapada Diamantina, mas a população local pouco conheceu os objetivos dos "revoltosos". Documentário de 17 minutos.

Direção, roteiro, edição e produção: Aléxis Góis e Juliano Domingues de Almeida
Pesquisa e fotografia: Aléxis Góis
Câmeras: Daniela Alarcon, Aléxis Góis e Juliano Domingues
Ano de produção: 2006
Local de produção: Bauru (SP) / Chapada Diamantina (BA)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

ASSEMBLÉIA CINECLUBE ROERTO PIRES

CAROS COLEGAS CINECLUBISTAS DO ROBERTO PIRES

Convidamos todos para a Assembléia a ser realizada conforme abaixo:

Data: 20/08/2009 - quinta
Local: DIMAS (Biblioteca dos Barris), na Sala de Multiuso
Horário: 18:30

Pauta:
-Marcação Assembléia para votação de nova diretoria
- Programação de exibição do Cineclube Roberto Pires
- Site
- O que ocorrer

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

fragmentos de um seminário

Cinema é fetiche!
E o frenético Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual busca cativar a cada ano ainda mais esse estranho objeto de adoração e desejo. Ao entrelaçar cinéfilos e quase-cineastas aos debates, filmes, performances e encontros o Seminário amplia as possibilidades cinematográficas baianas ao unir-se com outras artes e vontades. Em sua quinta edição conseguiu dar a Salvador a rara chance de ver um filme de Godard em 35mm depois de pestanejar numa poltrona vermelha no meio de um debate sobre cinema e filosofia e ainda mais tarde bater palmas ou xingar curtas e longas metragens. Claro, nem todos os debates foram sonolentos, e a sensação de usar a imponência do Teatro Castro Alves como sala de aula, e melhor ainda como cinema, é no mínimo excitante. A recorrente frustração construtiva de não conseguir ver tudo o que se pretendia é parte de todo esse exercício de seis dias, que se fez também nas tantas idas e vindas entre o TCA e o Teatro Martim Gonçalves (onde aconteceu a mostra de Godard) provando que o cinema, além de fetiche, também é busca por fôlego no meio de tantos mal alimentados movimentos seguidos de transpiração. Nos intervalos das sessões e debates o Seminário era igualmente construído, afinal o que seria dele e da sétima arte sem as muitas conversas, encontros, risadas e tolerância com a queima constante de cigarros na porta do foyer?! Falar de todos os filmes instigantes é meio impossível no meio da overdose, prefiro que isso aconteça em doses homeopáticas e seletivas. Pra começar quero premiar Intimidades de Shakespeare e Victor Hugo com o Prêmio Boca Aberta Sem Palavras do ano! A moça diretora Yulene Olaizola estava lá, subiu no palco, falou pouco e disse muito com o filme, que acabou infelizmente sendo pouco visto. Depois de ter lotado o palco da sala principal com metade da platéia, Pau Brasil a grande estréia baiana, de Fernando Belens, também conseguiu surpreender (pro bem ou pro mal), arrancando um gritante "Bravo!" do colega Navarro. Os curtas têm um papel fundamental no Seminário, além de darem o tom competitivo, garantem espaço pras produções baianas. No entanto foi desse aspecto tão nobre que o evento conseguiu provocar o maior dos equívocos. Eles resolveram dividir a premiação do melhor curta-metragem em duas categorias, baiano e nacional... Até aí nenhum absurdo, porém ao contemplar em ambas as categorias filmes de nossa terra (Cães e Nego Fugido) o evento agrediu o juízo de sua própria importância, premiando sim o estranho e desnecessário bairrismo. Aos meus coçantes olhos Os Sapatos de Aristeu foi o curta que conseguiu arrancar mais brilho. Houve ainda na última noite, além da tal premiação, um mini-musical-cabaré-bahiwood (?!), performance essa que arrancou vários suspiros de vergonha alheia da platéia, que aplaudiu mais no intuito de adiantar o término. Apesar desses momentos menos–melhores o Seminário acaba sempre deixando a vontade por mais, e junto com a Jornada de Cinema dá a cidade um pouco mais de empolgação e dignidade pra difícil arte de gostar e pensar Cinema. Mesmo com seus méritos consolidados não há garantias que o Seminário vá acontecer ano que vem, cansado de ficar com o pires na mão o organizador Walter Lima já avisou: “Não estou a fim de ter enfarte”. É a crise... Torcemos que role e que mantenha o foco no que sabe melhor proporcionar: bons filmes e adubo pra cabeça.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Imagens de nossa última exibição no espaço cultural Raul Seixas










Algumas fotos da palestra proferida pelo nosso Pronzato, pós exibição de seu filme Revolta do Buzu.

terça-feira, 9 de junho de 2009

PRIMEIRO SEMESTRE DE EXIBIÇÕES

E o primeiro semestre de exibições do Cineclube Roberto Pires no Espaço Cultural Raul Seixas chega ao seu final com o ótimo REVOLTA DO BUZÚ, onde Pronzato nos brindou com cenas histórias, que aconteceram logo ali... em 2003... com os estudantes nas ruas, lutando por seus direitos.

VALEU PRONZATO!!!!

E no próximo semestre tem mais CINECLUBE ROBERTO PIRES no ESPAÇO RAUL SEIXAS.
AGUARDEM!!!!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

PRONZATO - CONVIDADO DO CINECLUBE ROBERTO PIRES

"Sua arma é uma câmera. Sua munição, os fatos. A transformação social é sua ambição. Onde ocorrer mobilização, o argentino radicado na Bahia, Carlos Pronzato, está lá. Seja na Revolta do Buzú, quando estudantes tomaram a rua para protestar contra o aumento da passagem do ônibus; ou no 16 de maio de 2001, quando universitários exigiram a cassação do senador baiano Antonio Carlos Magalhães. Pronzato sempre cumpre a dupla função do registro audiovisual e da participação militante, numa fronteira inexistente entre o artístico e o político. Um militante com uma câmera, como se auto-define".

Matéria do Jornal A Tarde, de novembro de 2006

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O CINEMA DOCUMENTAL

Depois da espetacular sessão da semana passada, apresentando o cinema de ficção baiano. O Cineclube Roberto Pires traz, esta semana, dois documentários filmados em Salvador. IMPERDÍVEIS!!!

PERAMBULANTES
Doc. 7 min. 2008, Cineclube Roberto Pires - Primeiro documentário do Cineclube Roberto Pires, realizado durante a Oficina de Formação Cineclubista, em outubro de 2008. Retratar o cotidiano dos trabalhadores do bairro do Comércio. Uma realidade contundente que mostra o descasso das autoridades, diante do berço do centro comercial soteropolitano.

A REVOLTA DO BUZÚ
Doc. 70 min. 2003 , de Carlos Pronzato - Entre final de agosto e começo de setembro de 2003, a cidade se Salvador, Bahia, foi palco de uma impressionante onda de protestos estudantis contra o aumento do preço da tarifa de ônibus urbano. Milhares de estudantes tomaram as ruas de Salvador, causando engarrafamentos quilométricos, paralisando completamente a cidade por vários dias. O movimento demonstrou a sua força, enfrentando inclusive casos de repressão da Polícia Militar e a desmobilização promovida por grande parte da mídia oficial, colocando também em xeque qualquer tipo de representação ou lideranças. As repercussões das mobilizações no Brasil deixaram para os estudantes baianos a certeza de uma consciência política conquistada na prática e, principalmente, o protagonismo das ruas como cenário natural dos protestos.

Cineclube Roberto Pires e Espaço Cultural Raul Seixas em ritmo de São João e Superoutro








sábado, 23 de maio de 2009

DUAS VEZES NAVARRO NO CINE ROBERTO PIRES


PÊNALTI
Direção de Adler Kibe Paz. Ficção, de 12’, feito em 2000, que tem a participação mais que especial de Edgar Navarro no elenco.

Resumo: Domingo, Jorge escapa de uma excursão organizada por sua esposa para participar do principal evento do dia: a final do campeonato de futebol do bairro.

SUPEROUTRO
Direção de Edgar Navarro. Ficção de 48’, feito em 1989.

O média-metragem de Edgard Navarro tem como cenário as ruas da Cidade de Salvador e como personagem central a figura tragicômica de um louco de rua, anti-herói contemporâneo que através de sua imaginação caótica e alucinada tenta libertar-se da miséria que o assedia.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Livro narra a vida de Roberto Pires

Cultura
Livro narra a vida de Roberto Pires
Publicada: 13/05/2009 | Atualizada: 13/05/2009
http://www.digita.com.br/tribunadabahia/news.php?idAtual=8534

Dentro da Coleção Gente da Bahia, uma iniciativa da Assembleia Legislativa, foi lançado semana passada mais um exemplar, desta vez a contemplar o realizador baiano Roberto Pires, diretor de "Redenção", o primeiro longa metragem feito na Bahia, que procura biografar o cineasta. Seu autor, Aléxis Gois aplica o "vol d’oiseaux" na descrição da trajetória de Pires como cineasta e inventor, a destacar sua habilidade e seu grande amor pela chamada sétima arte. Nota-se que o livro foi escrito com a pressa necessária para ser lançado quando da homenagem aos 50 anos de "Redenção", a considerar que, neste 2009, o filme completa o seu cinquentenário já que seu lançamento se deu em março de 1959 numa "avant-première" de "black-tie" no majestoso cinema Guarany da Praça Castro Alves.

Se vivo estivesse, Roberto Pires completaria 75 anos, pois nasceu a 29 de setembro de 1934, sendo cinco anos mais velho do que o seu amigo Glauber Rocha (1939). A leitura do livro de Aléxis Gois é muito interessante, pois mostra a tenacidade, a persistência e a coragem da aventura do cinema numa época em que a Bahia não dispunha de equipamentos para se fazer cinema e muito menos um longa metragem, um filme de longa duração.

A ideia de "Redenção", cujo primeiro título era "Estalagem 25" surgiu em 1954 e dela até a concretização do projeto se passaram 5 anos, ainda que as filmagens propriamente ditas tenham começado em 1956. Naquela época tinha surgido a lente anamórfica, Cinemascope, lançada pela Fox em "O manto sagrado" ("The robe", 1953), filme bíblico com Richard Burton e Jean Simmons, cuja tela larga e som estereofônico despertaram o entusiasmo dos soteropolitanos quando lançado, dois anos depois, em 1955, no mesmo Guarany.

Roberto Pires ficou entusiasmado com o Cinemascope e pretendeu realizar seu filme neste formato. E resolveu "inventar" uma lente anamórfica. Pediu ao operador do Guarany um fotograma de "O manto sagrado" e, a partir daí, veio a compreender a "compressão" da imagem e a necessidade dela ser exibida com uma lente especial para "alargá-la". Seu pai tinha uma ótica, a Casa Mozart, e, nela, Pires trabalhou para conseguir um resultado capaz de obter o "anamorfismo" na lente. E mais: inventou também o som magnético, colando-o no próprio celulóide.

Cineasta e inventor, eis Roberto Pires, um realizador que sabia tudo sobre cinema. Não se limitava a ser um diretor cinematográfico, mas, além da lente e do som, tinha profundo conhecimento de iluminação, do corte funcional, do enquadramento. E onde, poder-se-ia perguntar, aprendeu tudo isso? Vendo filmes policiais e de aventuras do velho cinema americano, frequentador que era, assíduo, dos "poeiras" da Baixa dos Sapateiros, quando entrava, nos fins de semana, 2 da tarde e somente saía na última sessão. Naquela época os cinemas de segunda categoria exibiam três filmes a preços mais que módicos.

Embora Roberto Pires tenha sido o grande responsável pela concretização do projeto, ele não sairia do papel não fossem as intervenções de Élio Moreno Lima, de Ilhéus, que tinha fazenda de cacau, Oscar Santana, velho amigo e companheiro desde os seus primeiros curtas ("Sonho" e "O calcanhar de Aquiles"), Braga Neto. Um nome deve ser colocado ao lado deles: o do fotógrafo Hélio Silva, que ajudou e ensinou a eles a técnica da iluminação.

Um verdadeiro fenômeno o sucesso de bilheteria de "Redenção", que foi lançado simultaneamente nos cinemas Guarany e Tupy (o exibidor Francisco Pithon gostava de colocar termos alusivos aos indígenas nos cinemas que administrava, a exemplo dos citados e do Tamoio). Filas quilométricas: uma para comprar o ingresso que se estendia pela rua Ruy Barbosa inteira, e outra, fila de entrar, já com o ingresso comprado, que se estendia até a Barroquinha.

Surpreendente, no dia da ‘avant-première’, Roberto Pires não compareceu à sessão de gala. Segundo contou Raimundo Mendonça, seu amigo, ele já estava "cheio" de ver "Redenção" e foi ver outro filme. Mas ficava todo dia dentro de um abrigo frente ao Guarany, na Praça Castro Alves, a admirar, junto a Oscar Santana e Braga Neto, as imensas filas que tomavam conta da praça do poeta. A bilheteria estourava. As salas, entupidas de gente a sair "pelo ladrão".

No domingo (antigamente os filmes eram lançados as segundas), Roberto entrou para falar com o exibidor Francisco Pithon, que tinha um escritório dentro do Guarany, e viu, para sua surpresa e estupefação, os letreiros de madeira serem retirados da fachada principal. Pensou com seus botões que, dado o sucesso retumbante, o exibidor talvez quisesse aumentá-los de tamanho. Mas ao chegar ao escritório, Pithon lhe disse que o filme, apesar de ter a maior renda desde a inauguração da sala, iria ser retirado de cartaz, porque ele tinha compromisso com as distribuidoras americanas.

Eis aí, contundente, o grande drama do cinema brasileiro, que perdura até hoje. O controle do mercado exibidor está em mãos de multinacionais estrangeiras. No caso de "Redenção", mesmo com o lucro que estava a auferir, o exibidor teve que se curvar aos interesses das companhias americanas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sessão de homenagem pelos 50 anos de Redenção

Sessão de homenagem pelos 50 anos de Redenção

http://www.canalassembleia.ba.gov.br/Detalhes.aspx?ProgramacaoID=673&Res=1
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

UMBIGADA NO CINECLUBE ROBERTO PIRES - NESTA QUINTA

Um giro em torno do umbigo....comportamento traduzido em canção.
Documentário exibido na TV Pública da Bahia em homenagem a semana do Samba. Selecionado no festival de cinema de Vitoria da Conquista.

DIREÇÃO: GABRIELA BARRETO

SAMBA DE RODA

O samba teve início por volta de 1860, como manifestação da cultura dos africanos que vieram para o Brasil. De acordo com pesquisas históricas, o Samba de Roda foi uma das bases de formação do samba carioca.A manifestação está dividida em dois grupos característicos: o samba chula e samba corrido. No primeiro, os participantes não sambam enquanto os cantores gritam a chula – uma forma de poesia. A dança só tem início após a declamação, quando uma pessoa por vez samba no meio da roda ao som dos instrumentos e de palmas. Já no samba corrido, todos sambam enquanto dois solistas e o coral se alternam no canto.O samba de roda está ligado ao culto aos orixás e caboclos, à capoeira e à comida de azeite. A cultura portuguesa está também presente na manifestação cultural por meio da viola, do pandeiro e da língua utilizada nas canções.Foi considerado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como patrimônio imaterial. O ritmo e dança teve sua candidatura ao Livro do Tombo (que registra os patrimônios protegidos pelo IPHAN) lançada em 4 de outubro de 2004, e, depois de ampla pesquisa a respeito de sua história, o samba-de-roda foi finalmente registrado como patrimônio imaterial em 25 de novembro de 2005, status que traz muitos benefícios para a cultura popular e, sobretudo, para a cultura do Recôncavo Baiano, berço do samba-de-roda.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

INSURREIÇÃO RÍTMICA NO CINECLUBE ROBERTO PIRES

Nesta quinta acontece a segunda sessão cineclubista no Espaço Raul Seixas, promovido pelo Cineclube Roberto Pires.

Conheça um pouco mais de um dos filmes que será exibido na sessão.
O Filme
O documentário registra a ação de organizações sociais da Bahia queutilizam as artes afro-brasileiras para a inserção de jovens e crianças.O esforço de organizações sociais em utilizar a arte como ferramenta de inclusão social e promoção da cidadaniapara jovens e crianças no Brasil despertou a atenção do cineasta norte-americano Benjamin Watkins que, a partir de 2004, passou a acompanhar quatro dessas organizações sociais junto com ativistas de mídia Baianas Paulo Rogério Nunes e Eliciana Nascimento. O resultado de mais de 120 horas de filmagem é o documentário Insurreição Rítmica.
As entidades registradas no filme são: a
Escola de Música e Dança Didá, criada pelo Mestre Neguinho do Samba, que possui uma banda e um Bloco carnavalesco, formado por mulheres adolescentes do Centro Histórico de Salvador; a Escola Picolino, que por mais de 20 anos, vem difundindo a arte circense e profissionalizando jovens, em Pituaçu; o Bejé Eró, que através de aulas de cidadania, teatro, dança e música, oferece alternativas para os jovens da Vila Viver Melhor, localizado no Ogunjá; e a Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro – ACANNE, que utiliza a capoeira para trabalhar com jovens da periferia e do centro de Salvador no desenvolvimentocomunitário e na valorização de suas origens africanas.
O documentário possui 65 minutos e retrata a transformação promovida por essas organizações sociais na vida de crianças e jovens de bairros pobres de Salvador. São adolescentes cujas possibilidades de inserção social são limitadas pela pobreza, pela discriminação e pelo racismo. "A arte surge como via de união desses indivíduos, elevando a auto-estima, reconstituindo a identidade, capacitando-os profissionalmente e inserindo-os socialmente", ressalta o diretor.
Exemplos - História como a de
Antonio Marcus, da comunidade da Saramandaia, que viu muitos dos seus amigos morrerem pelo envolvimento no tráfico, mas que encontrou saída para esta realidade através das aulas no Circo Picolino, a partir de 1991. Hoje, Antonio Marcus é um dos artistas e instrutores da Escola de Circo e criou, com outros jovens da Saramandaia, um projeto social, onde repassa seus conhecimentos artísticos a outras crianças. Através de exemplos positivos como o de Antonio Marcus, a situação de violência da Saramandaia diminuiu e os jovens passaram a buscar outras alternativas.
Alternativas também encontradas por Mário Roma, morador da Vila Viver Melhor, no Ogunjá, que sonha com uma carreira artística que garanta dias melhores para sua família. O aprendizado vem nas aulas de teatro e percussão do projeto comunitário Beje Eró, saudação iorubá para os Ibejis, orixás que representam as crianças. Através do Beje Eró, Mário e outras crianças montam peças teatrais, fazem apresentações da banda e discutem temas como riscos das drogas, cidadania, direitos e deveres.
Entrevistas com artistas, intelectuais e militantes do movimento negro baiano permeiam o filme, entre elas a educadora e diretora do
bloco afro Ilê Aiyê Arany Santana, o historiador Ubiratan Castro de Araújo, a cantora Margareth Menezes, o ator Jorge Washington do Bando de Teatro Olodum e a escritora e educadora Vanda Machado. "Essas falas ajudam a entender a importância da cultura africana na identidade do povo baiano e de como essas referências podem ser utilizadas na socialização de jovens", explica o diretor.
O filme ja lançou em Salvador nas comunidades retratadas.